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24.8.11

E por falar em sorvete... Tio Beto!

:: Imagens: Demétrio Araújo ::

Minha irmã já tinha ido algumas vezes à sorveteria de Tio Beto, em Casa Amarela, e sempre dizia: "Camila, o sorvete de lá é uma delícia! E fica dentro de uma casinha num condomínio, pouca gente conhece".

Essa descrição "pouca gente conhece" já é, por si só, bastante satisfatória para mim. Novidade, afinal, nunca é demais. Resolvi, então, ir à sorveteria conhecer o local e o tão falado sorvete.

A sorveteria funciona na garagem de casa
A sorveteria funciona em uma casa, dentro de um condomínio, em Casa Amarela. Mais precisamente, na garagem da casa dos donos. O único problema é estacionamento, mas aí dá-se um jeito. Quem conhece o sorvete de Tio Beto ficou sabendo pelo boca a boca e hoje é cliente fiel. Não há placa nem qualquer indicação para a sorveteria. Mas há história, história antiga, que começou em meados dos anos 60, quando o Tio Beto, de Aracaju, que trabalhava com equipamentos de refrigeração, aprendeu o ofício e passou a ser "mestre sorveteiro". O legado foi passado para o filho Isaac Pina (uma simpatia de pessoa), que hoje comanda, com a mãe, Dona Maria Aurora, a sorveteria "sem nome". Tio Beto se foi e hoje o local continua conhecido por seu nome.

Delícia de Abacaxi
Mas vamos à parte mais gostosa. O sorvete é realmente muito bom! O já falado Tio Beto foi, inclusive, um dos responsáveis por ensinar o ofício ao fundador da Fri-Sabor. Daí já dá pra entender um pouco do que estou falando.

Eu e o sorvete de pistache
São mais de 60 sabores de sorvete. Entre os mais pedidos estão pistache, uva, pavê, serenata e Africano. Ah! Tudo, tudo mesmo, é feito por lá: sorvete, casquinhas de biscoito, caldas... Cada coisa melhor que a outra. O sorvete de delícia de abacaxi é um escândalo. Foi Tio Beto o inventor dessa delícia, Isaac contou todo orgulhoso.

Casquinho de biscoito feito por lá
Eu saí de lá de bucho cheio. Comi do que pude e não sei dizer qual o melhor. Mas realmente o de delícia de abacaxi e o de açaí estão na lista dos preferidos. E o melhor: o preço e o tamanho da bola são convidativos:  R$ 2,50 (uma bola) e R$ 3,50 (duas bolas). 
É pra comer por lá e levar pra casa o isopor cheio!

Vai lá?
Tio Beto Sorvetes
Rua Pedro Allain, 125 - Bloco M :: Casa Amarela
Indo pela Pe. Lemos, sentido Av. Norte, entra à direita na rua do Supermercado Casa Amarela.
:: 3031.8581 ::
4.5.11

A ordem é comer escondidinho!

Imagens :: Edgar Falcão Jr

Ter expectativas superadas é sempre muito bom. E isso, sem dúvida, é o que acontece quando se descobre o Cozinhando Escondidinho, do jovem chef Rivandro França.


Digo "descobrir" porque é realmente uma descoberta. A ordem lá é escondidinho, tanto no  prato carro-chefe da casa, como na ambientação. O lugar não tem qualquer indicação de que ali funciona um restaurante de comida regional caseira de primeira qualidade. A falta de placa é uma escolha: "Prefiro que aqui venham pessoas que querem realmente degustar uma boa comida, que saibam que aqui funciona um restaurante, e não aquelas pessoas que param só porque viram uma placa".
O restaurante (ou "Espaço Gourmet", como ele prefere chamar) fica no térreo de um conjunto residencial simples, de portão prateado. A sensação é que vamos fazer uma visita a algum morador. Mas aí chega Rivandro e abre as portas, ou melhor, a cortina de chita que dá acesso ao restaurante, montado nesse apartamento onde ele morava. A simpatia e a hospitalidade de Rivandro fazem as honras da casa. E a partir dali, você é transportado para um outro ambiente, bem diferente da pequena rua de Casa Amarela por onde chegamos para estarmos ali.
Decoração feita pelo próprio Rivandro
O lugar parece ter braços abertos para receber quem chega. Rivandro é apaixonado por gastronomia e cheio de ideias. Chega a empolgar! Foi a partir dessas tantas ideias que ele decorou o lugar,  em seus mínimos detalhes. Tudo feito por ele, que aos seis anos aprendeu o ofício da marcenaria. "Depois de cinco minutos aqui dentro você esquece do mundo lá fora", diz ele, orgulhoso. E é verdade!
O cardápio é uma delícia! O prato principal é o escondidinho, que vem em pequenas porções (R$ 3). O bom é que dá pra comer vários! Há os tradicionais de charque e de carne de sol, mas dependendo do dia, o cardápio recebe ainda o de banana da terra, carne de panela, camarão e calabresa. Os pratos principais têm precinhos ótimos! Variam de R$ 7,90 (cuscuz de xícara com carne de sol e queijo coalho) a R$ 15,90 (moqueca de camarão com banana da terra, farofa de dendê e arroz). Para finalizar, pode pedir de sobremesa as trufas deliciosas (R$ 1) que impulsionaram a carreira gastronômica de Rivandro, já que foi por causa delas que o chef ficou conhecido. 
Escondidinho
O restaurante funciona no almoço de quinta a domingo. Para o jantar, Rivandro só abre quando há reserva e, nesse caso, funciona com o Menu Degustação. O cliente paga por seis ou oito pratos, que variam entre entradas, prato principal e sobremesa (R$ 35 e R$ 45 por pessoa). O menu de oito pratos inclui ainda uma taça de espumante para harmozinar com o prato principal.
Depois de comer tanto, é hora de pagar a conta e sair dali, deixando para trás aquele ambiente que faz a gente esquecer de onde está. Aí você atravessa a cortina, fecha o portão e deixa um "tchau" para Rivandro, que sorri de longe e convida diversas vezes para que você volte a fazer aquela deliciosa visita.

Vai lá?
Cozinhando Escondidinho
:: Rua Doutor Tomé Dias, 08 :: Casa Amarela ::
(Sentido Padre Lemos, depois do Mercado de Casa Amarela, 4ª rua à esquerda. Rua da Igreja Universal)
Funciona de quinta a domingo para almoço. Jantar só com reserva.
:: 8618.6781 :: 9669.3924 ::
14.2.11

A maior fã do mundo: Dona Elvis

"Elvis é meu diazepam". Essa frase foi repetida por duas vezes no pouco tempo que estive com Marluce Cabral, mais conhecida no bairro de Casa Amarela como Dona Elvis. O apelido não é por menos. A casa de Dona Marluce é praticamente um museu particular do Rei do Rock. A coleção de artigos com imagens e referências a Elvis Presley é gigante para aquela casinha do antigo Beco do Cutuvelo.
Embora seja tido como diazepam para esta professora de história de seus 60 e poucos anos, Elvis não parece bem um calmante. A cada pôster, livros e imagens mostrados, o coração de Dona Elvis parece disparar. O orgulho e admiração pelo ídolo impressionam. Até o netinho, xodó da família, perde um pouco o prestígio diante do Rei. Ela mostra uma foto ampliada do menino de três anos e solta: "Lindo né?! Só não é mais bonito que Elvis!"
E eu que achei que um dia já havia sido fã de alguém. Se bem que as amigas explicam: "Ela não é fã, é louca".
O arquivo "elvis presliano" conta com 114 CDs, 118 LPs, outros mais de cem DVDs, além dos primeiros pôsteres do astro, toalhas, carrinhos, bolsas, bicho de pelúcia, bonecos, cadeira e até um display de Elvis enfeitando a casa. "E Isso não é nem a metade", repetia ela, orgulhosa.
Como fã que se preze, loucuras já foram feitas por Marluce, para conseguir objetos temáticos de desejo. "Eu ia pro cinema às 1h da manhã pra pegar cartazes escondido. Outra vez eu estava na Avenida Guararapes e pedi ao cobrador um pôster que veio no jornal. Ele disse que não ia me dar, então eu rasguei e saí".
Mas isso não é nada se comparado à saga pela toalha com a imagem do rei. "Era de um vizinho e ele não queria me dar. Aí eu ia pagar para alguém pegar pra mim, mas ele acabou me vendendo", conta ela, com jeito de quem buscava algo por direito.
Desde a década de 50, quando viu Elvis Presley pela primeira vez, Marluce tem o astro em sua rotina diária. "Escuto ele o dia inteiro e à noite assisto aos DVDs".
"E não enjoa não?", pergunto.
"Como é que a gente pode enjoar do grande amor da nossa vida?", responde ela na lata, como quem reponde a uma pergunta óbvia.
Mesmo depois de ter acabado a entrevista, foi difícil sair da casa de Dona Marluce. Vi por mais um tempo raridades, fotos da viagem dela a Memphis, onde há o museu de Elvis Presley, revistas antigas, réplicas de objetos do rei e inúmeros outros artigos daquela coleção particular. 
Por fim, um abraço demorado nessa senhora simpática, risonha e apaixonante, que se despediu vestindo a camisa do ídolo e descrevendo em um bordão a sua paixão. "Elvis é um oceano. Os outros cantores são apenas gotas d'água".

Definitivamente, Elvis não morreu. Pelo menos não na casa de Dona Marluce Cabral.