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25.6.13

O Arraial da Palha, em Olinda, é danado de bom!

São João para mim é sinônimo de interior. Adoro viajar, ir para lugares como Arcoverde, Caruaru, Serra Negra ou qualquer cidade onde sei que vou encontrar fogueira, fogos, palhoção enfeitado com bandeirinhas e balões, barraquinhas de comida típica e trio pé de serra. Em Recife isso é cada vez mais difícil. O Sítio da Trindade talvez seja o que mais se aproxima desse clima, mas é uma festa grande e já não é tão legal como antes, quando tinha parquinho com direito à MONGA e tudo mais (não estou considerando as festinhas de bairro, claro).

Esse ano não viajei. Gostamos da programação do Recife e resolvemos ficar por aqui mesmo. Mas, no sábado, o arrependimento bateu, pois o que eu queria era aquele climão de interior e não só ver shows legais. Cadê a quadrilha, cadê os vestidos bufantes de matuta? No Sítio não dava nem pra chegar perto do galpão das apresentações, de tão lotado. No Arsenal, no Recife Antigo, o palhoção não dava conta de tanta gente querendo um arrastapé.

Eis que tive, na noite de São João, a surpresa mais agradável e feliz. Fui conhecer o Arraial da Palha, na cidade histórica de Olinda, do qual um amigo tinha me falado. O clima dali ajuda um bocado, né?! Aquela coisa de gente nas portas de casa, conversando com os amigos, já cria uma atmosfera diferente da relação que a gente costuma encontrar na cidade grande. E é justamente por isso, por ser organizado por esse tipo de gente que gosta de uma festa, de uma conversa, que o São João foi tão bom.

A Rua da Palha em festa
Decoração
A Rua da Palha é paralela à Ladeira da Sé. A gente foi subindo e seguindo as pessoas que pareciam estar indo para o mesmo lugar. E lá chegamos! Logo que vi a festa, já adorei. Era bem o que eu procurava, um arraial autêntico. Quadrilhas, crianças soltando fogos, barraquinhas com churrasquinho, pamonha, milho, canjica e, claro, o forrozim para animar o povo.

Lá pelas tantas conheci Paulo Almeida, aliás, Seu Paulinho, um dos organizadores do arraial. Gente que só precisa de um dedinho de prosa para contar a vida, todo orgulhoso. Foi com o peito cheio de entusiasmo que ele me disse que, "há nove anos, quando teve o primeiro, era só vizinho e família. Mas todo ano vem mais gente. Você viu o jornal de hoje? Tem uma página todinha falando disso aqui".

Eu e Seu Paulinho, meu novo amigo

E tinha muita gente mesmo! Crianças e adultos, de Olinda, Recife, São Paulo e até do exterior. O palhoção ficou pequeno para quem quis dançar ao som de Paulo Pecado, que lançava seu CD. Mas aí o povo dava um jeito de se apertar e dançar agarradinho. Quem ficou impressionada com a quantidade de gente também foi Dona Catarina, esposa de Seu Paulinho, "índia maranhense" (como ele faz questão de dizer), que estava comprando seu queijo assado quando a conheci. Mas nem foi por intermédio do meu mais novo amigo. Conheci porque fui elogiar a unha dela, que estava toda personalizada para a ocasião. Aí já viu: assim como o marido, ela começou a conversar e só parou quando eu já sabia bastante da sua vida.

Palhoção lotado!

As unhas de Dona Catarina
A festa é todinha feita pela familia Almeida e alguns amigos. "Prefeitura num ajuda em nada, minha filha. A gente fez um 'bingozinho', no dia 15, para conseguir um dinheirinho. Aí cada um vem, traz um prêmio e a gente sorteia. É uma festa danada! Um vem e dá uma cerveja, outro vem e dá outra coisa. Esse ano eu dei uma torradeira". E eu ali atenta a cada palavra de Seu Paulinho, com um sorriso colorindo o rosto.

Saí do Arraial da Palha umas 3h, ainda com a festa bombando. Aliás, "só acaba lá pras cinco da manhã", como ele me disse. Fui embora satisfeita com minha noite de São João, com os pés cansados do arrastapé, o bucho cheio de espetinho e com o telefone de um novo amigo anotado na agenda.

Vai lá?
Arraial da Palha
Noite de São João, dia 23 de junho
A partir das 19h
Rua da Palha, Olinda
28.6.10

O São João danado de bom de Arcoverde

Eu sou suspeita para falar de festa porque adoro qualquer tipo de comemoração. Escolher uma delas fica difícil, mas sem dúvida São João é uma das minhas preferidas. A comida é gostosa, a música é boa e a cultura e tradição que envolvem os festejos juninos são riquíssimos. É festa pra comer, se divertir, dançar, brincar, fazer simpatia, aprender...


Aqui em Pernambuco as opções para curtir a maior festa do Estado são muitas, mas nem sempre a maior é a mais agradável. Muitas festas já estão saturadas e fica difícil brincar o verdadeiro São João. Mas em Arcoverde, a "capital" do sertão pernambucano, a 252 km de Recife, a festa é e continua danada de boa! Este ano meu São João foi lá. Não deu pra brincar o quanto eu queria porque só pude curtir dois dias de festa. E São João na terra do coco de roda dura muitos dias.

A festa começa a partir das 17h, com apresentações de cultura popular no Alto do Cruzeiro, no Pólo Raízes do Coco. Repentistas, poetas e trios pé-de-serra fazem a festa. Mas as apresentações mais animadas e esperadas pelo público são mesmo os grupos de coco, tradicionais de lá. No final da tarde também há apresentações de poetas na Bodega da Poesia, Pólo Alternativo. Mas esse não tive oportunidade de ver.


Quando as apresentações desses pólos terminam, o centro da cidade já está se preparando para receber o público. Lá ficam os outros palcos, um bem pertinho do outro. A prefeitura enfeita a cidade, com direito a uma vila cenográfica, a Vila Olho D'água, com casas de taipa, milharal, santos... Grupos de quadrilha, pífano e artistas populares itinerantes se apresentam desde às 20h. Barzinhos estão abertos desde cedo e um parque de diversões também é instalado, para alegria de todos nós. Andar na roda-gigante é obrigatório! Se bem que o preço não estava condizente com os parquinhos de interior. Uma entrada para qualquer brinquedo custava R$ 2,50!


Nos palcos, as apresentações começam às 22h. Tem o palco multimusical, onde se apresentam grupos de rock; o palhoção pé-de-serra, para ralar o bucho; o palco das artes, onde se apresentam grupos de reizado, coco, xaxado, quadrilhas e mais um monte de coisa boa; e o palco principal, onde as bandas maiores dão o show. Até às 03h não vai faltar programação.
Eu, particularmente, adorei o palco das artes. Os grupos são bem autênticos, apresentam sua cultura com maior orgulho e divertem quem está por lá. Todo mundo dança junto.


Depois da festa terminar, o jeito é ir dormir e aproveitar o friozinho gostoso que faz na cidade essa época (+/-17°). E torcer para que o outro ano não demore a chegar.